DIRETOR E VICE-DIRETOR DO BANCO DO VATICANO RENUNCIARAM NESTA SEGUNDA-FEIRA.

BANCO DO VATICANO

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O diretor geral do banco do Vaticano (IOR), Paolo Cipriani, e seu adjunto, Massimo Tulli, apresentaram suas renúncias, que foram aceitas nesta segunda-feira (1/7) pelo comitê de vigilância da entidade e a comissão de cardeais, anunciou o Vaticano.

As renúncias foram apresentadas “no melhor interesse da instituição e da Santa Sé”, informou um comunicado do Vaticano, três dias depois da detenção de um prelado que trabalhava no organismo que gere os bens imobiliários da Santa Sé sob a acusação de lavagem de dinheiro.

Suas funções serão assumidas interinamente pelo presidente do IOR (Instituto para as Obras de Religião), Ernst von Freyberg, informou a nota.

O funcionamento do IOR é objeto de uma minuciosa investigação interna desde setembro de 2010.

O papa Bento XVI e depois seu sucessor Francisco, decidiram pôr ordem no IOR, nomeando sucessivamente novos responsáveis e instaurando controles mais rígidos nesta instituição famosa na Itália por seu envolvimento em vários escândalos.

O papa Francisco ordenou, no dia 26 de junho, a criação de uma comissão especial para informá-lo diretamente sobre as atividades do polêmico banco do Vaticano.

Alguns setores católicos pedem que o banco seja transformado em um banco ético, “sem fins de lucro e saia do sistema financeiro”.

Na sexta-feira passada, um prelado do Vaticano, Nunzio Scarano, de 61 anos, foi detido pela polícia italiana por estar supostamente envolvido em operações de lavagem de dinheiro.

Segundo a promotoria de Roma, Scarano, responsável pela contabilidade da Administração do Patrimônio da Sede Apostólica (APSA) – o organismo que gere os bens imobiliários da Santa Sé -, tinha um “papel relevante” nas operações de lavagem de dinheiro.

O prelado, junto com um membro dos serviços secretos italianos e um intermediário financeiro, tentou introduzir ilegalmente na Itália, sem conseguir, cerca de 20 milhões de euros depositados em um banco suíço procedente de uma fraude fiscal, segundo a acusação.

Ao longo dos anos, diversos escândalos mancharam a reputação do IOR, já que círculos criminosos se aproveitaram do anonimato ou de testas de ferro para lavar fundos.

O maior deles aconteceu em 1982 com a quebra do Banco Ambrosiano, um escândalo bancário que envolvia a CIA e a loja maçônica Propaganda 2(P2).

Em 1993, o caso Enimont por subornos aos partidos políticos italianos, também afetou o IOR e, mais recentemente, o tribunal de Roma detectou casos de lavagem de dinheiro por parte de mafiosos.

O suíço René Brülhart, conselheiro da Autoridade de Informação Financeira (AIF), que supervisiona o IOR, informou que, em 2012, houve seis transações suspeitas.

O banco do Vaticano administra 19.000 contas no valor de cerca de 7 bilhões de euros pertencentes, em sua maioria, ao clero católico, que inclui tanto pessoas de hierarquia mais baixa, como bispos, cardeais e diplomatas creditados na Santa Sé, como as congregações religiosas.

 

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