Covid-19 já matou 27 indígenas em seis regiões do Maranhão, afirma entidade

Sansão Guajajara e Rosilda Guajajara fazem parte dos 27 indígenas que morreram pela Covid-19 no Maranhão, segundo o CIMI.

MARANHÃO – O Maranhão já registrou 27 mortes de indígenas causados pela Covid-19. Os dados são do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que aponta falta de testes e UTIs nas proximidades das aldeias como causa da morte dos índios.

Dentre os óbitos estão Rosilda Guajajara e Sansão Guajajara. Ele foi uma grande liderança da terra indígena Arariboia, que fica na região do Zutiua, município de Arame. Além da Arariboia, a Covid-19 causou mortes em outras cinco regiões. São elas:

  • Terra Indígena Pindaré
  • Terra Indígena Krikati
  • Terra Indígena Auto Turiacu
  • Terra Indígena Cana Brava
  • Terra Indígena Bacurizinho

O coordenador do CIMI no Maranhão, Gilderlan Rodrigues, criticou a falta de apoio das autoridades e de políticas públicas nas aldeias.

“Foi a falta de testagem em massa dentro das aldeias, logo que foi identificado o primeiro caso nos indígenas. Também a falta de UTI perto das aldeias e de uma política de ajuda ao isolamento dos indígenas”, afirma.

Em junho, uma Ação Civil Pública do Ministério Público Federal (MPF) já alertava sobre a aproximação da Covid-19 das terras indígenas. Os procuradores Hilton Araújo, Alexandre Ismail e Felipe Ramon citam a ineficiência do Governo Federal em ações que poderiam evitar a doença nas aldeias.

“Não há no Estado do Maranhão um monitoramento adequado dos casos positivos de Covid-19 entre os indígenas e nem as ações públicas até aqui desenvolvidas são capazes de responder aos riscos trazidos com a pandemia, na medida em que reconhecidamente faltam recursos humanos, financeiros e materiais aos órgãos locais da Funai e do Dsei. (…) A União e a Funai não têm adotado as ações materiais adequadas com vistas à preservação direitos à vida, à segurança, à saúde e à alimentação dos povos indígenas, expondo-os a risco concreto de contágio por Covid-19 e de não receberem o tratamento mais adequado e eficiente possível para a doença”, diz a ação.

A ação do MPF pede ações efetivas no combate ao novo coronavírus nas aldeias, e também que a FUNAI faça a fiscalização de entrada e saída nas terras indígenas, disponibilizando servidores e recursos para a proteção das comunidades. Até o momento, segundo o CIMI, não houve decisão.

G1 entrou em contato com as assessorias do Ministério da Saúde e da Funai e aguarda retorno sobre falta de ações de combate a Covid-19 em terras indígenas no Maranhão, citadas pelo MPF.

FONTE: G1

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