Justiça manda Abdon Jr. entregar passaporte e usar tornozeleira

Médico Abdon José Murad Junior.

MARANHÃO – O médico Abdon José Murad Junior – investigado pela Polícia Federal (saiba mais) e pela Polícia Civil do Maranhão por supostamente gerenciar uma pirâmide financeira que deu prejuízos milionários em “investidores” – foi obrigado pela Justiça estadual a entregar seu passaporte e a usar tornozeleira eletrônica. Ele também está proibido de se ausentar de São Luís.

A informação foi publicada no fim de semana pelo blog Atual 7, e reforçada nesta quarta-feira (24) pela Polícia Civil do Maranhão.

Segundo a publicação do Atual 7, a decisão foi proferida pelo juiz Francisco Ferreira Lima, da Central de Inquéritos, na última quarta-feira ( 17) e atende a pedido da Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC), no bojo de um inquérito criminal que apura os crimes de estelionato e contra a economia popular.

O médico é apontado como responsável pela Abdon Murad Júnior Participações e Empreendimentos Imobiliários e pelo fundo AMJ Participações. Além de ações na Justiça, ele figura neste inquérito na Polícia Civil e foi chamado a depor em sindicância aberta no Tribunal de Justiça para apurar o caso (reveja).

No caso do TJ, o procedimento foi aberto após informação de que juízes e desembargadores mantinham “investimentos” no “negócio”. O caso foi revelado em depoimento do proprietário de outra suposta pirâmide, Pedro Henrique de Sampaio, da PH Participações.

Segundo PH, promotores também investiram com Abdon Júnior. Há informações de que vários políticos também mantinham “investimentos” nas duas corretoras.

Outro lado

Em recente manifestação ao Uol, Abdon Jr. disse que precisaria de tempo para preparar uma resposta capaz de esclarecer “uma história de 10 anos de investimentos”. Mas, segundo o portal, não encaminhou tal manifestação.

R$ 400 milhões

Segundo material distribuído hoje pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), Abdon comandou um dos maiores casos de pirâmide financeira do Brasil. Segundo a investigação, a fraude movimentou mais de R$ 400 milhões. 

“Estamos há um ano e meio desta investigação, que agora segue para outra fase. Diante das provas foram solicitadas as medidas cautelares na justiça, que deferiu e demos cumprimento”, pontua o titular da Delegacia Especializada de Defraudações, delegado Jânio Pacheco. A polícia identificou que além do Maranhão, o golpe foi aplicado em outros estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. 

O médico, diz a SSP, é apontado como responsável por captar altos valores financeiros de terceiros, com o argumento de realizar investimento em mercado de capitais. A polícia investiga o número de vítimas prejudicadas com a suposta fraude. “Há casos de pessoas que chegaram a perder milhões no esquema”, informa o delegado Jânio Pacheco. A apuração policial identificou ligação da pirâmide do médico com outra que era aplicada no Rio de Janeiro. 

Outros envolvidos neste esquema e mais quatro casos de pirâmides estão sob investigação policial. O autor pode responder pelos crimes de estelionato, crime contra economia popular e evasão de divisas. A investigação foi conduzida pela Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC), por meio da Delegacia Especializada de Defraudações e Delegacia do Vinhais, com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD).

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