Márcio Honaiser, fala sobre os avanços do setor e ressalta os 27 restaurantes populares inaugurados no estado até o fim do ano

“Vamos mudar os índices para melhor”, afirma Márcio Honaiser.

MARANHÃO – De 2015 a abril de 2018, quando deixou o cargo de secretário da Agricultura do Maranhão para disputar a eleição de deputado estadual, o engenheiro e professor universitário, nascido em Carazinho (RS), Márcio Honaiser, voltou em 2019 ao governo Flávio Dino, desta vez para comandar a pasta do Desenvolvimento Social. Um quadro histórico do PDT, Honaiser tornou-se figura de destaque nos programas de combate às desigualdades sociais, que procura desempenhar com entusiasmo e dedicação, por entender ser esse é um dos compromissos “de qualquer ser humano e cristão”.

Em entrevista exclusiva a O Imparcial, Honaiser diz que seu compromisso com Flávio Dino é emprestar sua experiência e seu conhecimento dos problemas sociais do Maranhão na luta pelo equacionamento das questões essenciais dos mais pobres. Ele aborda o programa de segurança alimentar, desenvolvido e conectado a outras ações como o Bolsa Escola e o Escola Digna, que seguem no mesmo objetivo de alavancar os indicadores dos 30 municípios mais pobres do Maranhão.  O “Mais IDH” tem como eixo inúmeras ações governamentais, com as secretarias trabalhando de forma compartilhada para atingir as metas definidas pelo chefe do governo estadual. Os 27 restaurantes populares fornecem mais de 11 milhões de refeições por ano na capital e municípios do interior.

O Imparcial – Secretário Márcio Honaiser, por que o senhor deixou de cumprir o seu primeiro mandato de deputado estadual do Maranhão para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Social do governo Flávio Dino?

Márcio Honaiser – Fui convidado pelo governador para contribuir com a minha experiência adquirida na Secretaria da Agricultura no primeiro mandato e não poderia deixar de atender. É uma honra trabalhar neste governo que tem enormes compromissos sociais, principalmente agora, na crise, que exige maiores desafios. Nos rementem a ações concretas voltadas para reduzir as desigualdades no Maranhão que, infelizmente, são enormes também no Brasil. Temos dois eixos principais: assistencial social e segurança alimentar. As ações estão no pacote dentro do Cadastro Único, que alcança Bolsa Escola, o Bolsa Família, o Criança Feliz e outros. São programas voltados para as pessoas mais vulneráveis a algum tipo de risco – portanto  precisam de apoio e de assistência.

Na Segurança Alimentar, o trabalho é fazer melhorar a qualidade nutricional. Temos os restaurantes populares, as cozinhas comunitárias, o banco de alimentos que foi inaugurado agora pelo governador Flávio Dino, além de uma séria de cursos de qualificação que temos levado para o Maranhão inteiro.

Qual a repercussão de fato dessas ações num estado como o Maranhão, considerado um dos mais pobres do Brasil?

São importantes e necessários porque nós ficamos atentos, monitorando, acompanhando em cada município e dimensionando a situação de risco em cada área. Tanto criança, como o idoso e pessoas com deficiência são alcançadas pelos programas que breve mudarão a realidade. Temos quase duzentos sistemas de abastecimento de água nos povoados e zonas rurais necessitadas. Estamos entregando Caes, de Restaurantes Populares.

Como manter os restaurantes populares nesta crise, na qual vários estados estão fechando os seus?

Embora a crise tenha sido longa e extensa, o Maranhão, no entanto, tem sido um ponto fora da curva.  O governador entregou, agora, semana passada, mais três restaurantes, um banco de alimentos, e até o fim do ano outros 27 restaurantes serão entregues. Estamos trabalhando fortemente nos 30 municípios do Programa Mais IDH, considerados os mais pobres do Estado.

O que esperar dessas ações para dentro dos próximos quatro ou cinco anos em termos de repercussão nos indicadores sociais?

São várias ações integradas que o governo vem fazendo de forma multidisciplinar, envolvendo todas as secretarias. Entra a força Estadual de Saúde, a Agerp-Safra, ajudando o pequeno produtor da agricultura familiar; entra o programa Escola Digna, um modelo no país, além de outros investimentos em todas as áreas. Temos certeza que daqui a alguns anos vamos melhorar muito a vida dessa população carente e elevar o IDH desses Municípios. São ações conjugadas, com planejamento bem estruturado que vão apresentar resultados positivos.

Com funciona a logística de abastecimento de tantos restaurantes espalhados por áreas distantes uma das outras?

Nos restaurante dos municípios do Mais IDH a gente chama de centro de referência de Segurança Alimentar. Além do espaço da refeição, eles são adaptados com sala de educação física, de cursos de treinamento para aumentar o fornecimento do que é produzido na região. Quanto a produção em si, temos conseguido melhorar, investindo na agricultura familiar, que fornece parte da produção para aos restaurantes.

Quantas famílias são beneficiadas atendidas nos restaurantes populares?

A maioria das cidades está recebendo 200 refeições diárias (almoço); as maiores, 300, podendo chegar até 500 nas de maior porte.

Não corre o risco de o sistema entrar em colapso por algum motivo, tipo abastecimento?

As empresas que ganharam as licitações podem comprar os alimentos tanto da produção da agricultura familiar, quanto adquirir em outros centros. Mas a política do programa é reduzir o máximo a compra de fora, aumentando o fornecimento via agricultura familiar. Tem a vantagem de os produtos serem da cultura alimentar local e também estimular a produção maior dos pequenos agricultores.

Quais os resultados comprovados desses programas na área de sua secretaria desde o começo do governo?

Os reflexos são notáveis. A Escola Digna muda a realidade. Passa de uma casa de taipa coberta de palhas, para um local em que o professor se sente valorizado, numa sala de aula decente, com biblioteca, e o aluno sendo respeitado no direito de estudar com mais conforto e possibilidade de crescimento do interesse pela escola. Às vezes, o aluno gostaria até de ficar mais tempo na escola, em razão do conforto no ambiente em que estuda. Tem mais: a força Estadual da Saúde, indo de casa em casa em povoados bem longe, onde o morador nunca imaginou que o médico iria bater na sua porta. Então, com o tempo, vamos verificar os reflexos positivos disso. Os indicadores levam certo tempo para começar serem aferidos. Tenho certeza que as próximas gerações irão colher os melhores frutos dessas ações implantadas hoje.

Os governadores do Nordeste entregaram um documento a OIS propondo a volta do Programa mais Médico sob responsabilidade dos Estados. No Maranhão, o que há de concreto?

O governo do Maranhão, com a Força de Saúde já tem um programa na direção do Mais Médico, levando assistência médicas às casas. As equipes se deslocam para povoados distantes, levando atendimento e orientação sobre como cuidar da saúde. Sabemos que não são muitos os casos de doenças que precisam de internação nos hospitais. Mas se vier o Mais Médico, lógico que essas ações vão ser ainda mais ampliadas.

A atuação do senhor como secretário é bem diferente do exercício do mandato de deputado estadual. Por que a opção.

Estou contribuindo a pedido do governador.  E mesmo estando licenciado da Assembleia Legislativa não deixei e nem vou deixar de ser deputado. Sinto-me honrado em estar contribuindo com o desenvolvimento do Maranhão, numa área em que é estimulante e desafiador se trabalhar em favor dos miais necessitados. 

Quantas pessoas são atendidas nos programas na área de restaurantes populares?

Dentro da área de segurança alimentar, nos restaurantes e cozinhas, atendemos quase 32 mil pessoas por dia. São, hoje, 27 restaurantes e duas cozinhas comunitárias. Esses 29 equipamentos atendem quase 32 mil pessoas, mais 11,6 milhões de refeições por ano.

 

(FONTE: O IMPARCIAL)

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