MORRE A ATRIZ DE TEATRO E TELEVISÃO CLEYDE YÁCONIS, AOS 89 ANOS.

 

Cleyde Yáconis participou da novela 'Passione', em 2010

Cleyde Yáconis participou da novela ‘Passione’, em 2010

 

RIO – Internada desde outubro de 2012 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após sofrer uma isquemia, a atriz Cleyde Yáconis morreu na tarde desta segunda-feira, aos 89 anos. Ao longo dos últimos meses, a família pediu para o hospital não divulgar o estado de saúde da atriz. A nota de falecimento foi publicada no site da instituição às 21h e é assinada pelo médico Paulo Cesar Ayroza Galvão.

 

Irmã da atriz Cacilda Becker (1921-1969), Cleyde Yáconis (na certidão, Cleyde Becker Iaconis) nasceu em 14 de novembro de 1923. Na juventude fez curso de enfermagem e chegou a pensar em cursar medicina, por incentivo da mãe. A ideia persistiu até pouco tempo depois de a irmã levá-la ao Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em 1948. Cleyde começou a trabalhar no guarda-roupa da companhia e não tinha interesse em ser atriz. Dois anos depois, no entanto, foi convidada para substituir Nydia Licia, que ficou doente, no papel de Rosa Gonzalez em “O anjo de pedra”, de Tennessee Williams. Com uma atuação brilhante, Cleyde foi convidada por Ziembinski para o papel de Annette em “Pega fogo”, de Jules Renard. O Brasil perdeu uma jovem aspirante a médica para ganhar uma de suas principais atrizes.

 

Em 1951, foi considerada a revelação do teatro paulista, numa premiação concedida pela Associação Paulista de Críticos Teatrais. Ao longo de 14 anos, fez 35 peças com a TBC, com destaque para peça “Assim é se lhe parece”, de Luigi Pirandello (1953), em que interpretou a personagem principal, Senhora Flora. Ali, ganha seu primeiro prêmio de Melhor Atriz, o Governador do Estado.

 

Em 1958, ao lado da irmã, de Ziembinski, Walmor Chagas (então marido de Cacilda) e Fredi Kleemann, cria uma dissidência do TBC, o Teatro Cacilda Becker (TCB). Juntos, eles encaram uma fase de crise econômica, resultando em produções mais modestas que as do tempo do grupo anterior. Mas isso não impede que seu talento sobressaia: em 1964 ela recebe muitos elogios pelo papel de Yerma, de Garcia Lorca, com direção de Maurice Vanneau. Cleyde chegou a ser presa na época da ditadura militar, mas conseguiu ser liberada brevemente graças a intervenção de Cacilda.

 

Após inúmeras peças teatrais,, ela entrou na TV Paulista, em 1966. Depois foi para a TV Tupi e a TV Globo, onde atuou em diversas novelas, entre as quais “Rainha da sucata” (1990) e “Vamp” (1991). Sua última atuação foi na novela “Passione”, em 2010. Naquele ano, ela fraturou o fêmur após uma queda e chegou a passar por uma cirurgia no Rio de Janeiro. Ainda assim continuou trabalhando: sua última peça foi “Elas não gostam de apanhar”, de Nelson Rodrigues, em 2012. Três anos antes, ela havia sido homenageada em São Paulo, emprestando seu nome para um teatro na Zona Sul da cidade.

 

Cleyde também fez carreira no cinema, apesar de ser mais lembrada por sua atuação no teatro e na TV. Fez “Na senda do crime”, de Flamínio Bollini Cerri (1954), “Dora Doralina”, de Perry Salles (1982), e “Jogo duro”, de Ugo Giorgetti (1985). Um dos últimos trabalhos para a telona foi o curta “Célia e Rosita” (2000), feito em homenagem às atrizes Célia Biar e Rosita Thomaz Lopes – Cleyde interpretava esta última, que também faleceu este ano.

 

Cleyde foi casada por 11 anos (entre 1958 e 69) com o ator Stênio Garcia, mas não teve filhos. O corpo da artista será velado nesta terça-feira, no distrito de Jordanésia, município de Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo, onde também será sepultado.

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