Temer confirma Meirelles candidato, que dividirá marqueteiro com Roseana.

Ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles e ex-presidente do banco central.

BRASÍLIA – O PMDB já tem um candidato para tentar continuar governando o país. O presidente Michel Temer irá apoiar o seu ex-ministro da Fazendo Henrique Meirelles para a Presidência. Como forma de apoio, Temer está cedendo seu marqueteiro Elsinho Mouco.

Elsinho irá se dividir entre Brasília e São Luís para dar conta das campanhas de Meirelles e Roseana. Ele já trabalhou no Maranhão na campanha de Edinho Lobão em 2014.

Sobre Henrique Meirelles “Política no sangue”

Neto e sobrinho de políticos goianos, Meirelles nasceu em Anápolis (GO) em 31 de agosto de 1945, formou-se em engenharia e estudou administração na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Passou muitos anos no mundo corporativo, entrando na década de 1970 no BankBoston, onde construiu uma carreira bem-sucedida nos EUA, chegando a presidente mundial do banco. Mas só no início dos anos 2000 decidiu entrar de fato na vida política brasileira, filiando-se ao PSDB.

Meirelles é muito admirado pelos mercados financeiros por sua ortodoxia. À frente do BC, ele entregou por três anos a inflação abaixo do centro da meta oficial e adotou uma política que elevou as reservas internacionais em US$ 250 bilhões.

Para não dizer que sua imagem nunca foi arranhada diante de investidores, no fim do segundo mandato do presidente Lula, Meirelles filiou-se ao PMDB, não antes de namorar bastante com o PP. Diziam, nos bastidores, que sua meta pessoal era mudar seu endereço de trabalho para o Palácio do Planalto, como vice-presidente da então candidata Dilma Rousseff.

Nesse período, travou uma disputa surda no partido com Temer, que acabou escolhido para compor a chapa nas duas eleições de Dilma.

Muitos no mercado consideraram estranho ter um presidente do BC, que não tem independência formal no Brasil, filiado a um partido político. Hoje, Meirelles está no PSD.

Com o acirramento da crise econômica nos últimos dois anos, sobretudo no campo fiscal, Meirelles negociou também com Lula para voltar ao governo do PT. No fim do ano passado, chegou a fechar com o ex-presidente e até com Dilma sua ida para o Ministério da Fazenda no lugar de Joaquim Levy.

Mas os planos não saíram do papel. De um lado, Dilma nunca gostou de Meirelles, e de outro, o ex-presidente do BC perdeu o ânimo de participar de um governo cada vez mais atingido pelas investigações da operação Lava Jato.

Nelson Barbosa acabou assumindo a Fazenda e Meirelles passou a negociar também com Temer.

Meirelles ajudou o Brasil na década passada a dar saltos importantes, como chegar ao grau de investimento concedido por agências de classificação de risco e passar pela crise financeira de 2008/09 sem grandes arranhões, onde pela primeira vez adotou uma política anticíclica via juros para estimular a economia.

Vaidoso, o novo ministro é também bastante duro e exigente quando o assunto é trabalho, com posições fortes.

Meirelles vinha presidindo o Conselho de Administração da J&F Investimentos, holding que controla a empresa de alimentos JBS, e participava do Conselho da Azul Linhas Aéreas.

Por Patrícia Duarte

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